Entrevista

"Gotta tatt 'em all"
Chibs

É essa frase que a tatuadora Sara Pimentel de 25 anos, mais conhecida como Chibs, deseja tatuar em si numa Pokédex.

A ironia é que ela, mesmo com a vontade de tatuar todos os Pokémon existentes, e tendo tatuado mais de 200 até agora, não possua nenhuma na coleção que exibe em seu corpo. A frase é um trocadilho com a clássica frase do anime Pokémon “Gotta catch’em all”, que no Brasil foi traduzida para “Temos que pegar todos”!

Chibs sempre foi ligada à cultura pop e relembra, nostalgicamente, como era fã de Pokémon e Digimon na infância, mesmo com a rivalidade entre os fãs dos animes, “eu achava que dava pra gostar dos dois então eu ficava tentando juntar a galera assim”. Ela diz que Pokémon lembra muito sua infância e coisas proibidas, porque seu pai não a deixava jogar, pois o jogo tiraria seu foco dos estudos, “minhas notas eram tecnicamente baixas e ele achava que jogando iria me atrapalhar a estudar”, conta. Mesmo com a proibição do pai, Chibs pegava o Game boy dos amigos emprestado, durante o intervalo das aulas, e sempre dava um jeito de jogar.

Quando começou a tatuar falaram para ela fazer tribais e um monte de coisas que não queria fazer. Chibs tinha acabado de sair de um curso de design de games, queria trabalhar com personagens, daí resgatou a ideia do Pokémon. Começou tatuando os três iniciais, Charmander, Bulbasaur e Squirtle.

Os iniciais: Charmander, Squirtle e Blulbasaur.
Os iniciais: Charmander, Squirtle e Blulbasaur.

Um deles, o Charmander, está no braço de seu marido, Victor, “ele deixou eu treinar e ai começaram a me perguntar se eu não fazia outros, todo mundo começou a perguntar de todos os outros Pokémon. Aí eu comecei a desenhar e quando eu vi eu já estava fazendo um de cada, aí eu pensei, quer saber, vou fazer todos”. A contagem é feita num pôster na parede de seu estúdio, que fica localizado no bairro do Tucuruvi em São Paulo, com todas as atuais 802 espécies.

O Pokémon mais pedido para tatuar

Por incrível que pareça, Pikachu não é o Pokémon mais popular entre seus clientes, e sim Sylveon, uma das evoluções do Eevee. O Pokémon do tipo fada surgiu na sexta geração e, talvez, a característica que torna Sylveon tão popular seja o requisito para o Eevee evoluir para esta forma, a afeição com seu treinador. Daí entendemos o sentimento dos clientes que a procuram para tatuar Pokémon e da própria Chibs também, “o Pokémon em si pra mim é muito nostálgico, me lembra uma época muito boa da minha vida, minha infância, e eu fico muito feliz de poder resgatar essas pessoas por isso. Na maioria das vezes eu trabalho com desenhos em geral, e o Pokémon, o que eu acho mais engraçado, é que cada um tem uma paixão muito grande por um em especial”, contou à reportagem.

Cada pessoa chega com uma história, um significado para o Pokémon escolhido para tatuar. Dentre tantas, Chibis lembra da primeira vez que tatuou um Pikachu.

“A história do Pikachu é legal, foi o vigésimo quinto a sair (por coincidência, Pikachu é o Pokémon número 25 da Pokédex) e a menina, ela virou minha amiga depois, ia se casar e no bolo tinha dois Pikachu casalzinho, porque os dois gostam de Pokémon. Tenho a sensação que demorou porque saiu para a pessoa certa”.

A aproximação com os clientes rendeu até um grupo no Whatsapp, onde eles mantêm contato, “a maioria das pessoas viram amigos e é muito legal o quanto cada um se identifica e se parece, as vezes, com o Pokémon e a gente meio que se conhece pelo Pokémon, cada pessoa com um. Muita coisa boa que me aproxima da cultura japonesa, que é uma coisa que eu sinto um pouco de falta, quando era pequena minha vó mandava um monte de Pokémon, umas mochilinhas de Pikachu”, diz.

Ela conta que gosta bastante desse contato com os clientes porque além de aproximá-la de pessoas que gostam das mesmas coisas que ela, além de a manter mais próxima de sua família no Japão. Um de seus planos, inclusive, é visitar a família no ano que vem. Ela conta que gostaria de se mudar para lá, mesmo a cultura japonesa não aceitando bem tatuagens.

Garota Geek

Chibs começou a ficar conhecida depois de uma matéria do Garotas Geek, blog dedicado à cultura geek em geral e que é produzido só por mulheres, “eu gosto muito delas, me ajudaram muito e depois disso quando eu fui ver eu estava fazendo Pokémon todo dia e não estava fazendo tribal, estava fazendo algo que eu gostava”.

E não é só de tatuar Pokémon que essa jovem tatuadora vive, “desenho animado, anime, filmes em geral, não fugindo muito da minha vibe com traços mais grossos, traços mais finos, fazer cores bem vibrantes, não chegando bem ao realismo, mas eu gosto com bastante luz e sombra, gosto bastante de fazer pixel. Fiz muita coisa do Harry Potter também.

Valores

Os valores das tatuagens variam muito em relação ao tamanho e local do corpo escolhido para tatuar. Se for um Pokémon que a Chibs nunca tatuou, o valor cobrado é de R$200,00, que é o preço de “cobaia”, termo usado quando se está aprendendo a tatuar.

Conhecendo a Chibs é impossível não compará-la com uma treinadora de Pokémon que saiu em sua jornada, longe da família, para conquistar o sonho de capturar todas as espécies, neste caso tatuar. “O legal do Pokémon é que as pessoas que tatuam têm os valores muito parecidos, Pokémon ensina muitas coisas boas para as pessoas.”

Você pode entrar em contato com a Chibs através da sua pagina no Facebook ou Instagram.