Gamer Pobre: como consumir jogos no Brasil mesmo com a alta do dólar, a pandemia e ganhando pouco

Um jogador assustado no escuro com a bandeira do brasil, moedas caindo e o virus da covid em sua volta

Uma história mais enrolada que novela dos reclames do Plim-Plim: o gamer, a pandemia e o dólar

Em meados de março de 2020, iniciou em diversas regiões do país a quarentena devido a pandemia de Covid-19.  O gamer, lógico, aproveitou o afastamento escolar ou do trabalho para colocar a jogatina em dia. E isso fez com que o consumo de games explodisse na pandemia; e o mercado deve lucrar por volta de R$ 851 bi em 2020.

Tudo parece muito bonito, mas sabemos que a realidade não é essa para todos. A economia brasileira, que já vinha sofrendo sem a pandemia, está ficando cada vez mais complicada.

Não importa qual tipo de gamer você seja, a alta do dólar e a procura de jogos fez com que o preço de consoles, acessórios, smartphones e aplicativos aumentassem em níveis altíssimos. Até mesmo o mercado de retrogames aumentou a procura em sites como Mercado Livre e OLX e grupos de barganha pela internet. Claro que os vendedores aproveitaram para tirar um dinheiro em cima da situação.

Não creio nesses colecionadores!

A nova geração de jogos e videogames

Atualmente, encontra-se no mercado brasileiro a nova geração de jogos e consoles com preços na casa entre os R$3 mil a R$5 mil nos varejistas oficiais, mas nas Santas Efigênias da vida, você acha PlayStation 5 por exorbitantes R$8.000,00. Além das novas placas de vídeo da Nvidea GeForce séries 3.000 que variam entre R$4mil a R$9,6 mil para o mercado de PC Gamer.

Olhem essas curvas de 8 mil reais

Apesar de toda a gritaria e reboliço nas redes sociais sobre preços e de como nada disso seria vendido por aqui devido ao valor alto, a pré-venda do Playstation 5 foi de vento em popa em diversos varejistas e esgotou no Brasil. O Switch tem vendido bem e não está sendo diferente com o Xbox Series X/S.

É aí então que cai a sua ficha que, mesmo com a alta do dólar e uma pandemia, o brasileiro continua tendo poder de compra para consoles, que para nós estão a preços pouco convidativos. Então, só existe uma resposta para isso: você é um gamer pobre! (Tudo bem, talvez você já tivesse noção disso…)

Mas não se desespere, separei algumas dicas úteis para que você consiga continuar jogando e se divertindo muito mesmo querendo chorar por não ter um vídeo game da nova geração, pelo menos por enquanto.

Se você trabalha, consegue um troquinho aqui e outro ali ou recebe uma mesada dos seus responsáveis, as dicas abaixo são para você. Mas, caso você ainda esteja sem uma fonte de renda as dicas também servem para você, afinal de contas, quem sabe amanhã você não estará aí recebendo seus dinheirinhos. 😉

Mesmo que você não entenda nada de finanças, organize-se pelo básico!

Não vou entrar em detalhes sobre as finanças pessoais, basta dar um Google que você verá na internet várias Betinas e primos ricos te ensinando a como economizar. Mas, eu vou te dar uma dica simples e valiosa e que fará toda a diferença: abra mão daquela coxinha, do lanche do MC Donald’s ou seja lá o que você costuma consumir com frequência sempre que puder. Tudo bem consumir de vez em quando, mas procure fazer um cálculo médio de quanto você costuma a gastar por mês com essas iguarias. Eu garanto que você conseguirá economizar e conseguir comprar diversos jogos em promoção na Steam, Epic Games e até no Google Play.

Talvez seja a hora de levar o cofrinho a sério!

Não se prenda a querer jogar somente jogos de lançamentos ou modinha

Todo lançamento de jogo é caro. Os preços podem variar entre R$249 a R$349. Repare em jogos great hits do Playstation, por exemplo, eles sempre ganham um bom desconto! God of War para o Playstation 4 você encontra por volta dos R$63 na Amazon. The Last of Us – Part 2 era R$279 e agora você encontra por volta dos R$229, também na Amazon.

Se você se segurar e esperar um pouco, os preços dos jogos caem e muito. O dinheiro que você pagaria no lançamento do God of War do PS4 no lançamento, hoje você consegue pegar 4 jogos incríveis padrão AAA. Vale a pena esperar!

O mais importante: os jogos SEMPRE entrarão em promoção!

As desenvolvedoras de games pegam pesado no marketing dos jogos e sabem fazer com que seu psicológico fique abalado, deixando você aguardando ansiosamente pela pré-venda do jogo que esperou por anos. Com isso, eles oferecem os famosos DLCs exclusivos para quem compra na pré-venda, seja uma roupa customizada dos personagens, músicas alternativas e até acesso a conteúdo que serão lançados futuramente. E você, no seu desespero, é claro que irá querer consumir tudo isso.

A Steam e a Epic Games sempre oferecem grandes descontos ou cupons especiais em eventos específicos por todo o ano e são descontos que valem a pena. Alguns jogos ficam entre 75% e 95% de desconto. Mas não se preocupe caso você não possa gastar de imediato nesses eventos, pois os jogos sempre entram em promoções em novos eventos e datas comemorativas. Isso faz parte da política de distribuição da Steam, inclusive os desenvolvedores e distribuidores ganham mais dinheiro em épocas de desconto do que vendendo pelo preço normal. Então, sim, dá para economizar e jogar o seu jogo favorito com um descontão.

“Money, que é good nóis num have!” – Assassinas, Mamonas

Dica: Você pode conferir o menor preço que os jogos na Steam já tiveram, basta colocar na pesquisa do Google o nome do jogo + steam price history. Geralmente é o primeiro site da busca (steamdb.info › app). Ao entrar no site você irá se deparar com uma lista completa com todos os preços e valores onde a Steam atua.

E para finalizar, fique sempre de olho nos principais sites de distribuições de jogos. Eu recomendo a Steam, Epic Games, Microsoft Store, Greenman Gaming e Nuuvem.

Isso tudo também é válido para jogos mobile. A Google e a Apple sempre anunciam promoções semanais dos jogos e aplicativos em suas lojas.

Cuidado com falsos descontos de famosos “cashbacks” e cartões pré-pagos

Você já deve ter ouvido falar em alguma compra online com um serviço chamado de cashback, uma prática que promete te devolver parte das suas compras realizadas. Algumas empresas como a Ame Digital, Banco Inter e Méliuz prometem cashbacks em compras pelos seus respectivos aplicativos ou sites parceiros.

Fiquei interessado em adquirir créditos da Steam através do aplicativo do Banco Inter, onde eles garantem um retorno de 4% do valor do cartão adquirido. Mas, para a minha surpresa, ao adquirir um cartão de recarga da Steam, eles adicionaram uma taxa de 10 reais em cima do valor, ou seja, eu não tive o desconto.

A recomendação é que você adquira um cartão de crédito e compre diretamente nos sites que fazem a distribuição do jogo. Cuidado com os famosos cartões de crédito pré-pagos, que geralmente também cobram taxas que podem tornar inviável para adquirir seus jogos.

Não tem cartão de crédito? Peça ajuda para um amigo ou parente

Agora que você sabe que as práticas de cashback e cartões pré-pagos não são lá aquelas coisas, talvez tenha chegado a hora de você apelar um pouquinho.

Você quer o cartão pá comê ou pá jogá?

Na maioria dos casos, os pais não emprestam o cartão de crédito para que você gaste com jogos (mas, se seus pais emprestam sem reclamar, você não é um Gamer Pobre, você é um Gamer Filhinho de Papai/Mamãe (risos)). É aí então que você pode pedir ajuda para aquele seu melhor amigo ou alguém próximo. Verifique sempre com eles a data de fechamento da fatura, com isso, você poderá se programar para comprar seus jogos ou cartões de recarga. Caso a sua amizade seja de longa data e de confiança até rola dividir em algumas parcelas o jogo.

Fique atento aos serviços de jogos em streaming

Jogos em streaming não precisam que você tenha um console específico para jogar, basta você ter uma conexão de internet estável e escolher entre seu computador, smartphone ou televisor para conseguir jogar. Os jogos são processados na nuvem e exibidos pela plataforma de streaming escolhida. Resumindo, é como se fosse o serviço de filmes por demanda da Netflix, só que com jogos.

Apesar desses serviços ainda não estarem disponíveis no mercado brasileiro, não vai demorar para que comecem a oferecê-los em fases betas.

O Google Stadia oferece o serviço atualmente pelo valor de 9 dólares mensais (por volta dos R$ 50). A Microsoft irá trazer o serviço de jogos por demanda através do Xbox Game Pass, pela assinatura Ultimate, que custa atualmente R$44,99 por mês. E por fim, a Amazon anunciou recentemente o projeto Luna. Com ele você terá uma vasta biblioteca de jogos a sua disposição por $5,99 (por volta dos R$ 33).

O benefício é que você não precisará pagar por um console e comprar os jogos separadamente, mas ficará com uma biblioteca limitada de jogos oferecidos em cada serviço. Isso não vai impedir que você jogue os jogos da nova geração, algumas desenvolvedoras já estão adaptando seus jogos e testando nesses serviços.

Pare de pagar seu cartão de crédito Casas Bahia com seu Playstation 5 dividido em 30x para você ver o que acontece.

Última dica: conte sempre com um amigo!

Talvez você tenha um amigo que tem o mesmo vídeo game que você. Fique de olho nos jogos dele para emprestar ou trocar e aproveitar ao máximo. Troquem ideias e façam uma lista de jogos que vocês pretendem comprar ou jogar e não comprem jogos repetidos. Combinem entre vocês qual jogo cada um irá pegar para trocar depois. Se o seu amigo mora longe, talvez compense pagar um frete para emprestar os jogos através dos Correios, ou se for na mesma cidade, pedir para um motoboy fazer a entrega.

Apesar de ser considerada uma prática ilegal e intransferível, você também pode por exemplo, veicular a sua conta da Steam (no modo família) no computador ou Playstation ID em um console Playstation 3 ou 4 para usufruir da biblioteca de jogos digitais dos amiguinhos.

Se juntas já causam, imaginem juntas?

Usem a criatividade. Talvez, com as dicas acima, você tenha se lembrado de algum “macete” para conseguir aproveitar e jogar. Tem alguma dica além dessas daqui da matéria? Diga nos comentários, ou então, marque a GenkiPlay nas redes sociais e use a hashtag #GamerPobre, quem sabe não sai uma parte dois dessa matéria? 😉

Revisão: Natália Donatto

Por SiggyKun

Um retro-gamer louco e apaixonado por 8-Bits, pixel-art e um leão.

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